domingo, 28 de novembro de 2010

Sweat and Blood ( Final )

...

Soltou um grito desesperado e voltou-se a correr parando bruscamente no mesmo instante ao perceber que a mulher se encontrava agora à sua frente.

- Eu te fiz uma pergunta! – gritou empurrando-o de encontro a uma árvore à beira da estrada.

Gruniu com a dor aguda da pancada, caindo de lado. Ela veio, caminhando a passos curtos, e o levantou pelo pescoço pressionando-o contra o tronco. Virou seu pescoço e aspirou com fervor o aroma do sangue fresco que pulsava em sua artéria fazendo-o sentir o toque de sua pele gélida.
Com um pouco da força recuperada após o golpe violento conseguiu empurrá-la e se soltar. Apoiando-se na árvore ergueu o corpo e em um ato de coragem a encarou:

- Quem é você? O que quer?

- Hahaha. Quem sou eu... Vocês estão cada vez mais ousados. Talvez, a maneira certa de questionar seria: O que sou eu. Mas isso não te interessa. – disse enquanto se aproximava novamente.

- O que é que você quer? Me deixa em paz! – esbravejou, se afastando dela e voltando para a estrada.

- Tsc, tsc. Ainda está pensando em fugir? Não acreditou que eu não te percebi esse tempo todo não é? As tentativas inúteis de vocês de tentarem escapar me divertem. Tão cheios de vontade, cheios de apego pela vida. Já nem me lembro mais como é...

Parou, cruzou os braços levando uma das mãos ao queixo, com uma expressão de interrogação, como se vagasse pela memória tentando buscar resquícios de lembranças passadas. Aproveitando-se da distração da mulher ele se pôs a correr e soltou um grito rouco de socorro.
Mais incisiva do que a primeira vez ela correu, o agarrou pela camisa e o puxou contra o seu corpo, enroscando seu braço no pescoço com tanta força que por pouco não lacerou-lhe a faringe. Arqueou o corpo para frente obrigando o homem a quase ajoelhar-se e encostou os lábios bem desenhados em sua orelha:

- Cansei das suas brincadeirinhas, vermezinho fraco. Já me diverti o bastante com você, mas agora estou com fome...

O som da chuva forte ecoava. Nem mesmo o mais fino raio de luz do luar transpassava as nuvens negras. Ele, completamente sem forças e com as esperanças se esvaindo feito areia entre os dedos balbucia em meio às lágrimas que denunciavam o seu destino certo:

- O que... o que você é?
Com o branco dos olhos quase tomado pelo ébano de suas pupilas dilatadas, se preparando para se satisfazer com o Vitae precioso de mais uma vítima da sua maldição eterna ela abre a boca deixando brotar os caninos penetrantes e responde, sussurrando:

- O seu pior pesadelo.