sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Sweat and Blood ( 2ª parte )

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Como em um piscar de olhos eis que aparece a figura. Uma mulher. Farejando o ar como se fosse um animal procurando o rastro da sua presa. Na mesma hora que a avistou sentiu como se levasse um chute no estômago e por pouco não pôs o resto do jantar para fora.
Olhou para cima e fechou os olhos deixando-se molhar pela água fria da chuva. Tinha os cabelos longos e pretos, que azulavam à luz do luar. Passou a mão pela franja repicada, tirando os fios molhados do rosto. Trajava uma calça de couro preta colada ao corpo e um corpete da mesma cor denunciando suas belas curvas e seios fartos. Sem duvida uma mulher muito atraente. Virou-se e caminhou até o pequeno deslizamento de terra ao lado. À medida que andava o coturno era respingado com a lama que se formara.
Com a respiração menos ofegante, o medo foi deixado um pouco de lado e a curiosidade se encontrava em primeiro plano. Era um misto de terror e admiração. Tinha um rosto delicado e ao mesmo tempo marcante, detentora de um olhar ameaçador. Quem era ela?
De repente a estranha virou-se em direção ao seu esconderijo. Deu dois passos a frente ficando a menos de 5 metros de distância, pendeu a cabeça para trás e farejou o ar novamente. Notou um breve sorriso de canto de boca e, por um momento, pensou ter visto suas pupilas dilatarem e mudarem de tom. Na mesma velocidade com que aparecera, sumiu. Feito um vulto seguiu subindo o morro passando por cima de sua cabeça.
Com os olhos arregalados e incrédulo ficou ali parado durante uns 5 minutos tentando assimilar o que acabará de ver. Com a roupa empapada de água e lama foi se levantando devagar, procurando se apoiar nas pernas ainda trêmulas.
Virou-se fitando morro acima procurando a estranha figura. A lua estava encoberta pelas nuvens e a chuva forte não ajudava. Levou as mãos ao rosto e pescoço retirando o excesso de lama. Olhou para os lados...Para onde ir? Deveria se esconder ou fugir?
Virou-se e começou a correr pela estrada. Quem sabe encontraria algum carro pelo caminho, alguma casa, alguém para pedir ajuda.
Ouviu um tombo às suas costas e, no ato reflexo olhou para trás.
- Pra onde está indo com tanta pressa? – perguntou ela sorrindo, deixando-se revelar os caninos alvos e salientes.
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Continua...

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