quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sweat and Blood

Corria ofegante subindo a colina. Seus pulmões pareciam não poder conter o ar que precisava.
– Meu Deus, o que é isso? Não pode ser...Socorro, meu Deus, me ajuda!!!- Era somente o que conseguia pensar...
Enquanto corria, olhava para trás e conseguia ver ao longe um vulto se movimentando com uma rapidez nunca vista, passando de árvore em árvore, vindo ao seu encontro.
Arfando de cansaço, tropeçando no morro íngreme que subia se escondeu atrás de uma árvore na tentativa de despistar o que o perseguia e descansar. Recostou-se, quase que parecendo querer fazer parte do tronco, encostou a cabeça e apertou os olhos que ardiam com o suor.
Depois os abriu bem na tentativa inconsciente de mandar mais luz à íris e enxergar melhor o ambiente sombrio, iluminado apenas por alguns raios tênues da lua que se esgueiravam em meio às folhas da copa das árvores. Ouviu um estalido de um galho seco. O coração voltou a bater mais rápido e sentiu um frio subir a espinha e arrepiar os pelos da nuca. Tentava desesperadamente reprimir o choro para não emitir nenhum som enquanto os olhos se enchiam de lágrimas. Mais um estalo, agora mais perto. Silêncio... A adrenalina era liberada tão demasiada que fazia seu estomago revirar e os músculos enrijecerem.
O silêncio foi rompido por uma risada feminina medonha eriçando agora todos os pelos do corpo. Saiu em disparada morro acima com toda a explosão, sem olhar pra trás. A risada continuou pairando no ar, soando com mais vontade. Tropeçou em uma raiz morta, levantou-se como pode, e continuou. Não sabia pra onde ia, nem o que o seguia, só queria sumir dali, despistar, fugir.
Saiu em uma estrada de terra que cortava o morro. Não parecia ser muito transitada, pois não havia marcas recentes de pneu nem pegadas, e parte do morro acima havia pendido para dentro da estrada interditando a passagem. Parou, levando as duas mãos aos joelhos e buscando o ar com veemência. Sentiu pingos de chuva encontrarem sua nuca e olhou para o céu. Algumas nuvens carregadas e o fulgor da lua tornavam a noite sempre bela e interessante para ele, mas não desta vez. Não demorou muito para a chuva vir com força. Correu atravessando a estrada mal feita e escondeu-se agachando embaixo da vegetação que pendia para dentro da estrada, formando uma oca. Espremeu-se como pode evitando que a luz da lua o delatasse.
Com o olhar fixo no outro lado da estrada esperava algum sinal. No fundo, tinha uma breve idéia do que era afinal um humano não podia ser tão rápido e ter tamanha agilidade. Mas não, não podia ser verdade. Essas coisas não existem. É tudo ficção, obra de escritores de games alternativos, invenção ou sabe-se lá o que. Insistia em negar, sua razão não o permitia aceitar este fato, mas, se não, o que mais poderia ser?




Continua...

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